TÉCNICA DE CONDUÇÃO

   A técnica de maneio da colmeia acordeão é bastante simples. Vejamos algumas operações frequentes no  processo de bem conduzir um colmeal.

   Povoamento

   Núcleos de cinco a oito quadros já usados, e portanto com cheiro a própolis, podem ser colocados a povoar quando se verifique o fenómeno da enxameação natural de preferência em lugares elevados (mais de 2 m de altura)  ao abrigo dos raios solares e de correntes de ar.

   Como chamariz, pode, eventualmente, acrescentar-se um quadro com favo de cera já puxada. O movimento crescente das abelhas a entrar e sair do núcleo alerta o apicultor para a iminência de um povoamento espontâneo ou para a existência nas proximidades de um enxame recém formado que procura abrigo.

Núcleo chamariz

  Ocupado o núcleo, este deve ser colocado, à noite, no local definitivo. No dia seguinte, sacodem-se as abelhas deste núcleo chamariz, quadro a quadro, para uma nova colmeia com cera  moldada, melhor puxada, por forma a que rapidamente a abelha mestra comece a exercer a sua função de poedeira.

   Para um desenvolvimento acelerado da colónia deve, numa primeira fase, alimentar-se artificialmente . Se o enxame é encabeçado por uma rainha jovem e vigorosa ao fim de alguns dias , com o apoio de um espelho colocado por baixo da colmeia , é possível verificar a necessidade de aumentar gradualmente o número de quadros.

   Se o núcleo demorar muito tempo  a ser ocupado convém inspeccioná-lo para averiguar da existência de hóspedes indesejáveis.

Núcleo de abelhas a serem alimentadas

   Também a recolha de um enxame natural, que se encontre em lugar acessível, é uma operação agradável e  relativamente simples. Bastará colocar a colmeia com cera, adaptada ao volume do enxame em causa, no solo limpo, apoiada em duas ripas para assim permitir a entrada das abelhas.

   De seguida, com um recipiente, por exemplo, um balde de plástico, fixado numa vara telescópica de alumínio, caso a altura o justifique , retiram-se as abelhas que são lançadas junto á colmeia. É fácil constatar, após alguns minutos, pela intranquilidade e diminuição do volume do cacho inicial das abelhas , que a rainha se encontra dentro da colmeia.

   Condução após povoamento

   Vejamos agora, qual a sequência de procedimentos com esta colmeia ao longo de um ano apícola normal. 

   O período básico de recolha de néctar estende-se de Janeiro a meados de Maio. Por observação directa, o apicultor , com o auxílio de um espelho e sem perturbar minimamente as abelhas , a dado momento constata que a colónia necessita de se expandir (Janeiro). Começa então a acrescentar um quadro com cera moldada. Este deve ser colocado na zona mel/pólen (laranja/amarelo) na colmeia normal e junto à tampa de separação na colmeia bigémea ( figuras ao lado).

Na fase de expansão, quando a colónia já possui uma força razoável, recomenda-se a colocação de quadros no interior da criação, por exemplo, um a meio e dois junto ao pólen de ambos os lados.

   À medida que a colónia se vai desenvolvendo, e sempre de acordo com as necessidades de aumento de volumetria, o apicultor deve acrescentar quadros não devendo ultrapassar a barreira das duas dezenas tendo em vista a facilidade de maneio. 

   Os quadros em excesso podem ser distribuídos por outras colmeias menos desenvolvidas. Esta situação ocorre normalmente em Fevereiro/Março. 

   

Esquema de colmeia normal mostrando as zonas de mel, pólen e criação

Esquema de colmeia bigémea mostrando as zonas de mel, pólen e criação

   Desdobramento

   Com meia dúzia de quadros com cera puxada e um quadro retirado da parte central da colmeia em causa, contendo ovos , criação e todas as abelhas aderentes excepto a rainha , forma-se um núcleo que vai ocupar a posição da colmeia-mãe. Esta é retirada para outro local do apiário . 

  Como consequência, a colmeia-mãe, após alguns dias de amuo, recupera o movimento exterior. O núcleo irá criar uma nova rainha e armazenará nos favos todo o néctar, entretanto, recolhido . Normalmente o núcleo necessita de mais alguns quadros  para conter todo o seu gado resguardado. Abelhas construindo favos naturais na parte inferior da colmeia

   Cinco semanas após esta operação, a verificação da existência de nova rainha deve ter lugar. Basta, para isso, abrir a colmeia na parte central. Caso possua rainha fecundada aquela terá nesta altura criação já operculada.

   Se bater à porta o insucesso na formação do núcleo a solução é , com os quadros deste, reforçar outras colmeias. Nada se perde tudo se aproveita.

   Os desdobramentos far-se-ão, caso se pretenda,  até meados de Março .

  Contribui também como factor de rentabilidade a recolha de todos os quadros repletos de mel operculado que entretanto o apicultor detecte nas suas visitas às colmeias. Estes quadros aguardam devidamente armazenados a altura da cresta geral. 

   No início de Abril procede-se à colocação das grades excluidoras de rainha em todas as colmeias-mãe. Aquelas são colocadas na parte central dividindo as colmeias em duas partes iguais.

Quadro com mel operculado na parte superior

   Até meados de Maio as abelhas vão ocupando com néctar os opérculos entretanto libertos de criação .

   Com o uso de grades excluidoras, aplicadas um mês antes do fim da floração principal, reduz-se a criação de abelhas e consequentemente aumenta-se a colheita de mel .

   Em colmeias fortes há que estar atento ao desenvolvimento de favos naturais com células de zangão na parte inferior da colmeia. Estes devem ser permanentemente eliminados.

   O uso de grades excluidoras não é obrigatório. O mesmo efeito pode conseguir-se por outro processo mais natural.

  Quarenta dias antes do terminus da floração , aqui recai no final de Março, proceder à divisão da colmeia, na zona de criação, em duas partes unindo de seguida as suas anteriores extremidades. Fica o mel na zona central a separar dois blocos de criação. Com este expediente reduz-se a criação , nesta altura com vantagens, uma vez que a rainha fica com limitado espaço útil para postura  e, simultaneamente, do lado oposto aumenta-se a área de armazenamento de mel  à medida que novas abelhas vão nascendo. Este procedimento apenas se aplica às colónias em bom estado de desenvolvimento.